Setor vem descobrindo que é possível criar soluções para um produto que tem alta flexibilidade e diversificação

A Irani desenvolveu a primeira embalagem de papel com tecnologia antiviral, antibacteriana e antifúngica do Brasil

No dia 20 de julho de 1969, Neil Armstrong entrou para a história ao deixar sua pegada no piso arenoso da Lua. Antes de chegar lá, porém, muita pesquisa e descobertas foram feitas por centenas de mentes brilhantes de diversos profissionais da Nasa. Grandes mudanças podem começar com um pequeno passo. Quando há uma necessidade, o ser humano se adapta, pesquisa e, com novas ideias, chega a inovações transformadoras.

No caso da indústria de embalagens de papel e papelão ondulado, por exemplo, os desafios são constantes. O setor é frequentemente desafiado a criar soluções que tragam diferenciais inovadores. Elas vão desde mudanças na superfície ou na modelagem das embalagens de papel e papelão ondulado, que confiram oportunidades de mercado não exploradas e, assim, novas configurações, até a criação de máquinas que customizam embalagens no tamanho que atenda a uma necessidade específica.  São alterações que geram economia, menos emissão de poluentes ou uso de água e, assim, um produto final alinhado com a economia circular – conceito que promove novas maneiras de produzir e consumir, que gerem recursos a longo prazo.

Os insumos utilizados na indústria são em grande parte reciclados, o que os torna favoráveis ao meio ambiente. De acordo com dados da Pöyry, a partir de pesquisa da Indústria Brasileira da Árvore (Iba), de 2019, 4,2 milhões de toneladas retornam para o processo produtivo. A taxa de recuperação do papel produzido no Brasil para o mercado interno é de 86% e cerca de 67% das embalagens de papel e papelão ondulado brasileiras são produzidas com fibras recicladas. Pela necessidade mundial de preservação ecológica e de diminuição de custos, essa indústria vem descobrindo, junto com as demandas dos próprios clientes, que é possível criar soluções com o papel e papelão ondulado, insumo de alta flexibilidade e diversificação.

Uma das soluções recentes apresentadas pelo setor é um saco Kraft com barreira a água para o mercado de fertilizantes; além de um saco dispersível, que vai junto com a betoneira para a produção do cimento, tornando esse tipo de embalagem sustentável, pois não há descartes. Outra frente de trabalho é a busca por diminuir a gramatura das embalagens de papel – e consequentemente utilizar menos matéria-prima. Em alguns casos, como o mercado de embalagens para produtos perecíveis, esse esforço resultou na capacidade de aumentar a vida útil do produto. Em relação à textura do papel, diminuir a gramatura reduz também o peso da embalagem como um todo, fazendo cair o peso líquido do produto transportado.

Projeto-piloto da Klabin traz inovação e sustentabilidade para o canteiro de obra com a primeira embalagem do mercado que pode ser integrada ao processo no momento da preparação do concreto

Uma consequência das necessidades de customização que o papel oferece é que algumas máquinas também foram criadas para produzir embalagens específicas, usadas sobretudo para entregas, via comércio eletrônico. Outros mercados, que não usavam papel para embalagem, também foram conquistados com inovações propostas pelo setor nos últimos tempos. Móveis, frutas e legumes e, em alguns casos, até mercados tradicionais como a linha branca – um dos carros-chefes da indústria nacional – que usavam a embalagem de papel no passado, mudaram para plástico e agora voltaram para o papel e papelão ondulado, pela força e apelo sustentável.

Inova-se mais, de modo ágil e econômico, quando se estabelece uma interação inteligente com elos da corrente de valorização, conjunto formado pela cadeia produtiva: universidades, institutos tecnológicos, empresas nascentes (startups), fornecedores de equipamentos e prestadores de serviços especializados. A oxigenação por meio da troca de conhecimento e o relacionamento com startups dão vida a novas ideias no setor. O contato constante de diferentes profissionais e startups com propostas alinhadas com o compromisso da sustentabilidade é fundamental para criação de alternativas inovadoras para negócios futuros.

Por conta dessas pesquisas, foram desenvolvidas desde novas barreiras para embalagens de papel, de forma a torná-las cada vez mais resistentes e adaptáveis às diversas situações de clima e condições de transporte e armazenamento até a criação de álcool gel a partir de nanocelulose. Uma inovação a serviço do momento. Entre as soluções tecnológicas, que transformam a maneira das indústrias realizarem seus negócios estão softwares capazes de capturar o movimento dos olhos do consumidor para analisar o poder de atração das embalagens nos pontos de venda até máquinas que calculam a força exata necessária para um pacote, levando em conta todas as restrições físicas na cadeia de suprimento. Outro ponto que vale menção, em relação à tecnologia no segmento, são plataformas que integram banco de dados com centenas de soluções de embalagens para e-commerce, criadas por desenvolvedores de diferentes países, e que variam conforme a missão de compra do consumidor.

As inovações da indústria de embalagens têm avançado constantemente. E não são passos gigantescos para a humanidade, como foi o de Neil Armstrong na Lua, são pequenos e constantes passos diários – resolvendo desafios cotidianos – para preservar um futuro mais sustentável e transformador.

*Presidente da Associação Brasileira de Embalagens de Papel (Empapel), antiga Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) que desde 1974 representava o setor.