Reunião de agosto deverá aumentar a taxa Selic para 5%

“A persistência da pressão inflacionária revela-se maior que o esperado, sobretudo entre os bens industriais”, nota o BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade elevar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 4,25% ao ano. No documento após a reunião, o BC antevê, para a próxima reunião, que será realizada nos dias 3 e 4 de agosto, um novo ajuste da mesma magnitude, fato que elevará os juros para o patamar de 5% ao ano.

O Comitê avaliou também a atual conjuntura econômica no Brasil e no mundo. “No cenário externo, estímulos fiscais e monetários em alguns países desenvolvidos promovem uma recuperação robusta da atividade econômica. Devido à presença de ociosidade, a comunicação dos principais bancos centrais sugere que os estímulos monetários terão longa duração. Contudo, a incerteza segue elevada e uma nova rodada de questionamentos dos mercados a respeito dos riscos inflacionários nessas economias pode tornar o ambiente desafiador para países emergentes”, destaca o BC.

“Em relação à atividade econômica brasileira, apesar da intensidade da segunda onda da pandemia, os indicadores recentes continuam mostrando evolução mais positiva do que o esperado, implicando revisões relevantes nas projeções de crescimento. Os riscos para a recuperação econômica reduziram-se significativamente”, nota o Copom. “A persistência da pressão inflacionária revela-se maior que o esperado, sobretudo entre os bens industriais. Adicionalmente, a lentidão da normalização nas condições de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, a despeito da recente apreciação do real”, alertam os membros do Comitê.

O Copom voltou a reiterar a importância das reformas e ajustes necessários na economia brasileira. “O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, afirma o BC.