O major Edson Raimundo dos Santos, condenado a 13 anos de prisão pela tortura e morte do pedreiro Amarildo Souza, foi oficialmente reintegrado aos quadros da Polícia Militar.

A decisão foi publicada no Diário Oficial do estado na sexta-feira (29). O secretário de estado de Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo de Lacerda, reverteu aos quadros oficiais da PM do Rio de Janeiro o major Edson.

No dia 14 de julho de 2013, Amarildo foi levado por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha e nunca mais voltou para casa. Os policiais acreditavam que Amarildo tinha informações sobre o paradeiro de traficantes. O major Edson era o comandante da unidade na época.

Policiais condenados

Em 2016, o major e outros 12 PMs da UPP Rocinha foram condenados pelos crimes de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. Um dos 13 réus, no entanto, morreu antes da sentença e teve a punibilidade extinta.

A Justiça concluiu que Amarildo foi torturado até a morte dentro da sede da UPP. O major recebeu a maior pena: 13 anos e 7 meses de prisão.

O corpo do pedreiro nunca foi encontrado.

No final de 2019, a Justiça do Rio concedeu liberdade condicional ao major Edson dos Santos. Ele cumpria a pena em prisão domiciliar.

A decisão que beneficiou o major é da juíza Larissa Duarte, da Vara de Execuções Penais.

Apesar de condenado, o major sempre esteve ligado à PM. De acordo com o portal da transparência do Estado do RJ, ele recebeu em dezembro de 2019 mais de R$ 23 mil de salário e 13º.

Relembre o caso

Amarildo de Souza desapareceu no dia 14 de julho de 2013, na Rocinha. Investigações do Ministério Público conseguiram comprovar que o ajudante de pedreiro foi levado para a base da UPP da comunidade pelos PMs, que acreditavam que Amarildo sabia do paradeiro de traficantes.

A Justiça concluiu que Amarildo foi torturado até a morte. O corpo dele não foi encontrado até hoje. Em 2016, 13 policiais militares foram condenados por tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. Um deles, no entanto, já havia morrido quando a condenação saiu em 2016.