A Polícia Civil prendeu dois suspeitos de assaltar uma lanchonete no Recanto das Emas, no Distrito Federal. O crime ocorreu em 24 de janeiro e, na ocasião, uma mulher usou o próprio corpo para proteger o filho de um tiro.

De acordo com os investigadores, a dupla foi presa durante operação, batizada de Instinto, deflagrada neste domingo (31). O delegado à frente do caso, Pablo Aguiar, da 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), informou que, após os agentes identificarem os suspeitos, passaram a monitorá-los.

O investigador informou que ambos tinham passagens na delegacia, inclusive por delitos cometidos na adolescência. Eles respondem por crimes como furto e roubo qualificado, além de receptação, praticados na capital e em Minas Gerais.

“Um deles [dos suspeitos] foi preso na porta de casa, após a polícia passar a monitorá-lo”, comentou.

Após a prisão, a dupla foi encaminhada à carceragem da Polícia Civil e, agora, devem responder por tentativa de latrocínio – roubo seguido de morte.

“Resolver esse caso não era uma questão de obrigação, mas de honra para os policiais”, disse o delegado.

‘Momento de terror’

Dias após o crime, a mulher que usou o próprio corpo para proteger o filho, de 4 anos, contou que viveu “momentos de terror”. A dona de casa Rafaela Dantas ainda disse que agiu por impulso.

“É uma coisa que a gente nunca espera que possa acontecer. Na hora do desespero ali, a primeira reação que a gente tem é bem impulsiva”, afirmou a mulher. Ela também está grávida de seis meses.

As filmagens mostram que um dos dois assaltantes estava armado e abordou um cliente, que reagiu. Nesse momento, teve início uma confusão. O homem com a arma atirou na direção de clientes. Em seguida, o comparsa levou celulares das vítimas.

“Eu pensei na proteção do meu filho. Primeira coisa, meu filho. Os dois, né? O que está na barriga também. Mas, graças a Deus deu tudo certo, ninguém ficou ferido”, afirmou Rafaela.

Investigação

Apesar do susto, ninguém ficou ferido. No dia do crime, a Polícia Militar chegou a ser chamada pelas vítimas, mas não houve registro de ocorrência. Segundo o delegado, a Polícia Civil recebeu as imagens e foi atrás do responsável pela lanchonete, que só então registrou o caso.

Em nota, a PM disse que os militares foram ao local, mas as vítimas já tinham saído. Segundo a corporação, policiais patrulharam a região mas não encontraram os criminosos.

A PM afirmou ainda que, algum tempo depois, o dono de um dos celulares roubado encontrou uma equipe da corporação e disse que tinha conseguido rastrear o aparelho.

“Com a ajuda da PM, ele localizou o celular no mato. Os policiais o orientaram a procurar a delegacia para registro. Por essa dinâmica, não se faz necessário o registro da PM na delegacia. A ausência de registro pela PM em nada interfere na investigação da Polícia Civil”, informou a corporação por meio de nota.