Sem ônibus, por causa da greve de motoristas e cobradores, passageiros relataram dificuldade e longa espera para conseguir transporte por aplicativo na manhã desta terça-feira (14) em terminais e pontos em São Paulo.

Alguns usuários do transporte público contaram que esperaram por até 1 hora a chegada de um carro por aplicativo para seguirem para seus destinos. Também disseram que o valor do transporte ficou mais caro do que em dias normais.

“Há quase uma hora [esperando um carro por aplicativo]”, disse uma mulher que aguardava o veículo no Terminal da Barra Funda, Zona Oeste da capital. “Tá dando R$ 40 pra Casa Verde [na Zona Norte], normalmente dá R$ 10s. Hoje R$ 40 e ainda cancelam. Tô quase 1 hora aqui. Umas 4 corridas canceladas. E a gente fica pensando na volta também né, se não acabar a greve, como que a gente vai voltar.”

“Está R$ 30 para aqui pertinho. Antes custava R$ 10 a R$ 15”, disse a auxiliar de escritório Jaqueline Lopes, de 27 anos, sobre o preço da tarifa que está sendo cobrada pelos carros por aplicativo. Ela também aguardava o carro na Barra Funda.

A mulher falou que saiu 5h do Itaim Paulista, na Zona Leste, para ir trabalhar em Perdizes, na Zona Oeste. Ela pegou metrô e trem para chegar ao terminal da Barra Funda. E de lá pegaria um ônibus até o trabalho, mas com a greve, estava tendo paciência para aguardar uma carro. “Cancelaram seis vezes”.

A mensalista Enine Nunes Nascimento veio de trem da cidade de Itapevi, na Grande São Paulo, para trabalhar na Pompéia, na Zona Oeste. “Não tem ônibus, nada. Vou esperar a patroa vir me pegar. Aplicativo tudo caro, aí não tem como… vou esperar. Tenho que trabalhar”, disse ela, também na Barra Funda

Em outros pontos da cidade a situação era idêntica. Passageiros que pegariam ônibus aguardavam carros por aplicativo ou caronas dos patrões para chegarem ao trabalho.

“Os patrões pediram pra eu pegar Uber [um dos transportes por aplicativo], mas nem Uber eu consegui, tá tudo mais caro […] o Uber tá [R$] 100. Aí não tô conseguindo também, a patroa disse que pagava, mas não tô conseguindo pegar, eu mandei mensagem pra ela 6h, ela falou pra eu pegar, eu tô aqui ainda. Tá até as fotos aqui que não tem motorista, não é nem que cancela, não tem motorista”, disse uma mulher em Parelheiros, na Zona Sul.

Passageiros também recorreram aos celulares para pedirem transporte por aplicativo no Terminal Bandeira, Centro de São Paulo.

Os motoristas e cobradores de ônibus da cidade de São Paulo entraram em greve nesta terça após rejeitarem a proposta de reajuste salarial oferecida pelas empresas do setor.

Por conta da paralisação, a Prefeitura de SP decidiu suspender o rodízio municipal de veículos. A CET liberou, no período da manhã, a circulação de carros nas faixas e corredores de ônibus.

Durante a madrugada, 46 linhas do noturno, do total de 150, operaram.

Em nota, a SPTrans afirmou que o sindicato não cumpriu com a determinação da Justiça, de manutenção de 80% da frota no horário de pico, e que irá cobrar a autuação de R$ 50 mil de multa diária.

Usuários enfrentam transtornos desde as primeiras horas da manhã. Após trabalhar de madrugada, um grupo de funcionários de um mercado caminharam mais de duas horas para tentar encontrar um ônibus e voltar para casa.

No segundo dia do emprego, após anos na disputa por vaga, um auxiliar de produção disse à TV Globo que já estava atrasado e temia não conseguir trabalhar.

Resumo:
Paralisação deve durar 24h;
Sindicato pede reajuste de 12,47% a partir de maio; empresas querem pagar a partir de outubro
13 empresas de ônibus estão com operação paralisadas e 11 operam
Rodízio de veículos foi suspenso e CET liberou circulação nas faixas e corredores de ônibus

O Terminal de Santo Amaro estava vazio, sem veículos. Apenas uma linha, e com veículo menores, atendia os usuários.

O Terminal Grajaú, também na Zona Sul, foi fechado entre 4h e 4h50 após manifestantes utilizarem dois ônibus para interromper o fluxo de veículos.

No Terminal Campo Limpo, 12 linhas estão sendo estendidas até a Vila Sônia, onde os passageiros podem realizar a integração com o Metrô.

As linhas que vão até o Terminal Vila Nova Cachoeirinha estão levando os passageiros até o Metrô Barra Funda.

Relação de empresas com a operação paralisada em suas garagens:
Santa Brígida (Zona Norte);
Gato Preto (Zona Norte);
Sambaíba (Zona Norte);
Express (Zona Leste);
Viação Metrópole (Zona Leste);
Ambiental (Zona Leste);
Via Sudeste (Zona Sudeste);
Campo Belo (Zona Sul);
Viação Grajaú (Zona Sul);
Gatusa (Zona Sul);
KBPX (Zona Sul);
MobiBrasil (Zona Sul);
Viação Metrópole (Zona Sul);
Transppass (Zona Oeste);
Gato Preto (Zona Oeste).

Relação das empresas operando normalmente – Grupo Local de Distribuição
Norte Buss (Zona Norte)
Spencer (Zona Norte)
Transunião (Zona Leste)
UPBUS (Zona Leste)
Pêssego (Zona Leste)
Allibus (Zona Leste)
Transunião (Zona Sudeste)
MoveBuss (Zona Leste)
A2 Transportes (Zona Sul)
Transwolff (Zona Sul)
Transcap (Zona Oeste)
Alfa Rodobus (Zona Oeste)
Tratativas
O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SindMotoristas) rejeitou a proposta do sindicato patronal, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss), de aumento de 12,47% a partir de outubro.

A categoria reivindica que o aumento seja retroativo a partir de maio, e também pede que o mesmo reajuste seja aplicado ao vale-refeição e à Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

A decisão pela greve ocorreu após audiência de conciliação entre o sindicato dos motoristas e o sindicato patronal, realizada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na tarde desta segunda-feira (13), acabar sem acordo.

De acordo com o TRT, o sindicato precisa cumprir uma decisão liminar que determina a operação de 80% da frota de ônibus nos horários de pico, que vão das 6h às 9h e das 16h às 19h, e pelo menos 60% nos demais horários.

Em caso de descumprimento, haverá multa diária de R$ 50 mil.

O julgamento do dissídio da greve deve ocorrer em reunião mediada pelo TRT nesta quarta-feira (15), às 15h.

Em nota, o presidente do SindMotoristas, Valmir Santana da Paz, disse que a categoria rejeitou a proposta patronal porque o reajuste não repõe as perdas causadas pela inflação.

“A princípio o setor patronal insistiu em oferecer apenas 10% de reajuste, e ainda de modo parcelado. Agora, ofereceram os 12,47%, mas apenas a partir de outubro, o que é inadmissível. Sem o merecido reconhecimento, motoristas, cobradores e profissionais da manutenção cruzarão os braços nesta terça”, disse o presidente do sindicato.

Já o sindicato das empresas do setor declarou, também em nota, que “não tem proposta patronal nesse sentido”.

“Não houve acordo na reunião de hoje, no TRT. O sindicato patronal, o SPUrbanuss, ofereceu 12,47% de reajuste nos salários e tíquete refeição, a partir de outubro. Eles querem a partir de maio, data-base. Também insistem no PLR e 100% hora extra. Não há proposta patronal nesse sentido. Ficou marcado o julgamento do dissídio para quarta-feira, com o juiz mantendo a liminar já dada à SPTrans de 80% da frota operando nos horários de pico, em caso de paralisação”, disse, em nota.

O serviço de ônibus metropolitano gerenciado pela EMTU na Grande São Paulo tem operação normal nesta terça-feira (14).